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sábado, 5 de maio de 2012

La France e a vida cotidiana #6

Eu fico mesmo encantada com as "modernidades" que vejo aqui na Europa. Fico me sentindo uma caipira tirando foto das coisas "normais" da vida (para eles!), mas é tão divertido descobrir as novidades! A nova sensação do momento é o caixa automático de supermercado. É, você passa suas compras sozinho na maquininha, paga e vai embora. Fácil? Vamos ver...


Bem, por um lado, essa invenção pode ajudar a reduzir as filas, mas por outro, reduz também o número de empregos. E a crescente taxa de desemprego é assunto antigo aqui na França. =/ Outra coisa chata: o ser humano é esperto demais e claro que um dos grandes problemas nessas máquinas são as fraudes para pagar menos.


De toda forma, vou explicar como é que a coisa funfa: a máquina tem um scanner que você vai passando os códigos de barras e uma balança onde você vai colocando um a um, os produtos na sacola (assim a máquina confere o peso e o valor. Teoricamente, você não pode colocar um produto na sacola sem passar pelo scanner porque a máquina vai notar o peso extra. Mas isso não impede o povo de deixar numa sacola reutilizável no chão, por exemplo, e roubar. Depois de tudo pronto, é só pagar com cartão ou até dinheiro, inserindo as notas e/ou moedinhas no compartimento especial (dá para ver direitinho na foto abaixo).


Em Londres também vi dessas máquinas. Eu mesma já utilizei umas 4 vezes. Usada do jeito certo (e quando não está quebrada!), pode ser bem prática. O que você acha?

quinta-feira, 3 de maio de 2012

"Parabéns para você" sem brigadeiro não tem graça, snif! - Parte 2

Yep, depois de uma primeira experiência num aniversário de criança francesa, eu já estava "sage" (o famoso ixxxxxperrrrta dos cariocas) do que me aguardava no aniversário da menina. Aliás, que aconteceu no fim do mês de abril, mas só foi comemorado lindamente no dia 1 de maio. Feriado, teoricamente day off... lindo! Isso é que é começar com o pé direito, não é mesmo? ai, ai...


Enfim, mesmo sabendo que a casa ia receber novamente 12 criancinhas sapecas no meu dia de folga (já disse que não era para eu estar trabalhando, mas estava? Pois é.), eu tive uma super boa vontade e resolvi incrementar a decoração da festa com florzinhas de papel crepom, que a mãe e eu achamos o how-to na internet. Bom, a verdade é que parecia mais fácil no vídeo do que na prática e isso pegou boa parte da manhã, mas ficou lindo:
Pena que durou 5 minutos após a primeira criança ter chegado e ter achado "liiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiindo" também (à la Felícia) e você pode imaginar as minhas flores espatifadas. Engraçado é que a minha menina disse para as amigas que essas flores foram feitas para "durar pra sempre" e o fato é que as artificiais tiveram uma vida mais curta do que uma verdadeira. Pobrezinhas.



Ah! Eu também fiz o convite da festa no photoshop. Tirei uma foto da menina, coloquei cercada de florzinhas... ela adorou. =D

Bom, o aniversário da menina funcionou no mesmo esquema: horário de início e fim, 12 amigas sendo que 1 tinha que ser menino, por causa do irmão. Bolo simples e suquinhos, mas com docinhos melhores porque a menina escolheu melhor que o menino, haha. Dessa vez a brincadeira foi uma caça ao tesouro, numa historinha fofa sobre uma borboleta de ouro perdida no jardim do castelo (que é do lado de casa). Tudo bem, os pais nunca aprendem, superestimaram demais as crianças (de 6 a 10 anos) e fizeram uma história gigante com quase 10 minutos para elas assistirem antes da caça. O que aconteceu? Óbvio; ninguém prestou atenção, cada uma correu para um lado, gritando e procurando loucamente como se tivessem tomado energético. Outro grande erro: instruções da caça exageradamente grandes e com um nível de dificuldade que nem os outros pais conseguiram decifrar hahaha... foi muita boa vontade, mas fez com que as crianças lessem meia frase e saíssem correndo, para variar. De novo: crianças elétricas e pais pedindo misericórdia.

O que eu aprendi? Meninas podem ser piores que meninos em termos de bagunça e gritaria, o problema é que elas enganam super bem com aquelas carinhas fofas ahaha.

Por outro lado, no aniversário do menino, a irmã e a amiguinha participaram de todos os jogos com alegria. No dela, o irmão e o amigo ficaram fazendo caretas e julgando tudo chato e sem graça.

Outra coisa que aprendi: não se fazem mais crianças como antigamente. De novo tinha uma menina que NÃO GOSTAVA DE BOLO DE CHOCOLATE. Não pode, gente!

Donc, depois desse dia infinito, fui no cineminha para descontrair. Assisti Le Prénom e dei umas risadinhas. =)

segunda-feira, 30 de abril de 2012

La France e a vida cotidiana #5

Quando você nota que está mesmo num lugar diferente: quando tipo uns 80% das pessoas do metrô lêem.


Aqui na França é assim: todo mundo lê. Esperando o metrô, durante a viagem, no ônibus. Dá até vergonha se você não estiver com um livro, jornal ou revista na mão. Aliás, o que a maioria lê são livros mesmo, acho que carregam com eles especialmente para o tempo do metrô.
Claro que tem algumas linhas parisienses em que as pessoas lêem menos, mas são as mais turísticas ou as muito afastadas (mesmo nessas, os franceses portam os jornais gratuitos, ao menos).

É impressionante!

 Esqueceu o livro? Não se acanhe. Compartilhe a leitura! =P

E isso não é exatamente um hábito europeu. Em Londres, fiz questão de prestar atenção nisso e vi só meia dúzia de gato pingado lendo. É gente, dizer que não tem tempo para leitura não vale mais como desculpa, viu? =P

domingo, 29 de abril de 2012

"Parabéns para você" sem brigadeiro não tem graça, snif! - Parte 1

Então meus dois queridos enfants fazem aniversário em abril (11/4 o menino, que agora tem 10 anos e 30/4 a menina, que recém completou 8 aninhos de sapequice). E o que isto quer dizer? Festa de criançaaaaa! Nossa, super me empolguei com o primeiro aniversário (do petit garçon) porque me lembrei de como é no Brasil, com N tentações alimentícias e crianças correndo para lá e para cá. Minha alegria, malheureusement durou muito pouco. =/


O menino acabou comemorando o aniversário antes, no sábado (que era meu day off, mas que eu me dispus alegremente a ajudar, né galere?). O dia todo foi um agito de limpa, arruma, enche balão, os pais criando atividades de gincana tão loucamente que eu até pensei que o Celso Portioli em pessoa viria para a festa! Mas eu já devia desconfiar; uma festa de criança com convite "je t'invite para o meu aniversário, das 15h30 às 18h", só podia ter algo de muito estranho, meu caro Watson.

Enfim, os pequerruchos chegam na hora (também, dura tão pouco né?) e absolutamente todos trazem presente (que são abertos só no fim e na presença de todos). O aniversariante recebe cada um na porta (e na hora de ir embora dá um beijo -- mesmo os meninos -- e leva todos à porta também), todos tiram os sapatos e os casacos e tem uma pilha de cada coisa na entrada (na França é costume não andar de sapatos dentro de casa e eles são um tanto quanto sérios sobre isso), todos começam calminhos e depois ninguém mais os segura.


A festa começou com algumas brincadeirinhas dentro de casa, elaborada pelos próprios garotos (dentre elas, conseguir estourar quase todos os balões em menos de 5 minutos), mas logo os pais do aniversariante os levaram para fora (no jardim) para brincar de cabo de guerra, corrida de obstáculos, telefone sem fio, quem se fantasia mais rápido e um milhão de outras provas de uma grande gincana com 2 equipes. Sinceramente? Deu dó. Os pais se empenharam tanto imprimindo fichas, separando os materiais e deixando tudo lindo, mas as crianças ouviam só as duas primeiras palavras das instruções de cada atividade, depois começavam a gritar, destruir, se bater, virar de costas, jogar bola, conversar e fazer qualquer outra coisa que não envolvia escutar, muito menos que estivesse relacionada à brincadeira. Depois de muitos "shhh" e "prestem atenção", eles conseguiram realizar as provas, fazê-los rir, tirar fotos engraçadas e voltar para casa com o objetivo cumprido: cansá-los. O problema é que o objetivo foi cumprido ao inverso e os únicos mortos na jogada eram os pais. Dommage! =S


Ao voltarmos, foi a hora do goûter (lanche) para o parabéns (que se canta assim ó) com bolo de chocolate e docinhos.

Eu APOSTO todas as minhas fichas que você acabou de imaginar isso:


e isso:


Né? Mas a minha realidade foi assim:

Bebida: suco de laranja, de maçã ou água (à escolher!) / Docinhos: coisas bizarras de gostos estranhos...
E assim:

Bolo de chocolate simples, sem nenhuma coberturinha de nada, nem recheio. Tá certo, era um moelleux au chocolat super gostoso, mas isso é bolo de aniversário minha gente?

E ainda tem mais: 2 meninos NÃO GOSTAVAM DE BOLO QUE CHOCOLATE (OH-MY-GOD!!!) e comeram pãozinho de leite improvisado pelos anfitriões. A maioria das crianças comeu só 1 pedaço ou meio de bolo (como eles conseguem?!) e só alguns "gulosos" comeram 2 ou 1 e 1/2. Também se "encheram" de "docinhos" (a foto acima do bolo é a quantidade para 10 crianças).

"Se eles comem muito, ficam doentes!" - disse a mãe (então muito brasileirinho já estava mortinho da silva!). Mas nem que tivesse muito, eles não comem!

Bom, como boa brasileira que ama chocolate, me atirei em 3 pedaços de bolo já que os docinhos miaram no gosto. =/ Até curti o suquinho porque não gosto de refrigerante =P.

Depois foi hora de abrir os presentes, agradecer a todos com um abraço e um beijo e os pais começaram a aparecer pontualmente na hora do fim da festa.

Resumo: nós brasileiros comemos muito, nos acabamos em açúcar e somos felizes ^^, mas também gastamos horrores com festa de aniversário de criança (mesmo quando não temos dinheiro para tanto), decoração e tudo mais se a vida pode ser bem mais simples. O menino teve direito a convidar 10 amigos, sendo que 1 tinha que ser menina por causa da irmã. Nada de parentes, nada de "obrigações sociais", só "diversão" e uma rápida comemoração (que já deu um trabalhinho!). Nada de ostentação (a criança vai se lembrar da pompa ou dos amigos?). Os meninos foram embora felizes da vida e o aniversariante também adorou. Arrumar a casa depois foi fácil e aposto que nem ficou caro também (apesar da família ter super condições).

Mon avis? Acho que o brasileiro pode continuar com suas gostosuras de festa infantil (e também uma decoração linda com tema, claro!), mas não precisa exagerar. Já vi festinha de criança mais luxuosa e cara que aniversário de 15 anos! 


Somos um povo criativo, detalhista, carinhoso e pensamos muito em agradar. Acho que é por isso que muitos pais não medem esforço$ para mimar agradar os filhos. Mas podemos fazer a mesma coisa de um jeito mais proveitoso, econômico e com um sentido real: a comemoração en place da ostentação.
Engraçado é que estava procurando fotos para ilustrar a ideia da festa mais simples e caseira, como a que nossas mães e avós faziam para a gente; quando me deparei com um artigo da Folha que fala exatamente isso. É uma tendência gringa e que já está chegando na elite brasileira, de fazer festas mais íntimas no estilo do it yourself. Vale a pena ler. Olha como fica fofo:


Pensez! =)


segunda-feira, 23 de abril de 2012

La France e a vida cotidiana #4

Cara, tem coisa mais clichê que uma baguette francesa? Pois é, o Mc Donald's também acha que tem tudo a ver e lançou aqui na França, direto do forno: o Mc Baguette! Não, não é piada (mas dá vontade de rir hehe). Se liga também no comercial.


Eu já testei e aprovo a novidade (nham!), pena é que acho que não vai chegar aí no Brasil... talvez naqueles especiais "sabores do mundo", sabe?

Outra coisa interessante do Mcdô (como eles chamam aqui) francês é que ele é todo verde. A empresa mudou suas cores depois de ter sido depredada por ativistas, lembra do fato?

Mais uma das vantagens do Mc europeu é a segunda opção de batata. Além das tradicionais fritas, você também pode optar por essas aqui:



Bom, né? Para descobrir as diferenças entre o Mc verde amarelo e o Mc français, passeie no site deles. Isso não é uma propaganda =P



sexta-feira, 20 de abril de 2012

La France e a vida cotidiana #3 (especial Alemanha)

Hoje, o fato marcante dessa série se passou na Alemanha e não na França, mas também dispensa qualquer explicação.

Levante a mão quem compraria esse chazinho aí?


O marketing alemão é doido... podia até fazer sucesso no Brasil, não? hehe =P

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O dia em que cheguei causando na Alemanha: Hallo, Freiburg!

Depois das minhas férias nos Alpes, com rápida passagem em Annecy, encarei quase que em seguida uma esticada para a Alemanha, mais precisamente em Freiburg (sul do país e do ladinho da França), onde encontrei a melhor guia de todos os tempos: minha ex professora de alemão e amiga, Lígia! =D


Para continuar minhas super descobertas viajantes, experimentei corajosa e caronísticamente minha viagem de ida e volta com desconhecidos. É, nem eu acredito que fiz isso! Tem um site aqui que você pesquisa o lugar e o dia que pretende ir e vê se encontra alguém que também está indo de carro. Você paga um preço muito mais simpático e ainda faz umas amizades no percurso.


Se eu tive medo? Confesso que estava tão ansiosa de ir pra Alemanha que o meu maior medo foi da carona não aparecer do que da carona em si. Na ida, fui com um casal alemão que falava poor english e a comunicação foi meio hard, mas ok e a volta foi com N pessoas falando francês, alemão e inglês. Resumo da história: très sympà!

Enfim, cheguei em Freiburg após 7h de viagem, partindo de Paris, e descobri que meu celular francês não funcionava "pas de tout" lá. Bacana, como eu iria ligar para a minha host? Então a moça alemã do carro carona me deixou numa estação de trem e me explicou, meio alemão, meio bad english, como eu deveria chegar no endereço da minha amiga (aliás, danke schön Gott que eu tive um dia a ideia de estudar alemão. Apesar de não ter sido uma boa aluna, isso me ajudou!). Tá, mas e o bilhete do trem? "No trem mesmo você compra, tem uma máquina" - ela me disse. Entrei no trem com outras pessoas, procurei a máquina, não achei. Procurei pessoas com dinheiro pra pagar, não achei. Olhei o motorista, achei, mas estava inacessível, fechado atrás de um vidro. Olhei desesperadamente para os lados e vi N faces alemãs me encarando, esperei as próximas estações e ninguém pagando... vi a estação que eu deveria descer sendo anunciada, suei frio... olhei para os lados e saí do trem, sem pagar, esperando um grito alemão e sirenes vermelhas, mas nada... e tudo aconteceu em aproximadamente 1 minuto. Como o tempo às vezes pode ser slow motion, né?

Andei pelas ruas imaginando onde eu ia conseguir pedir informações, será que todo mundo falava inglês?, será que eu conseguiria um hostel facilmente? Por que falar alemão dá medo? Então, ao atravessar a rua, dei de cara com a minha amiga! #Milagrededeus. E aí tudo ficou mais fácil. =)


O que posso dizer? Freiburg é uma cidade encantadora, super ensolarada e cheia de pessoas sorridentes. Os alemães lá tem senso de humor e são uns fofos de bonzinhos. A comida é uma coisa SEN-SA-CIO-NAL. Fiquei feliz de não ser apaixonada pela Alemanha, mas sim pela França, ou iria ganhar muitos quilinhos. =P
Lá é a cidade da Floresta Negra. O quê, você pensou no bolo de chocolate com cereja? Bingo, meu amigo. A receita é original de lá e absolutamente quase todo doce freiburguiano tem cereja no meio. Ah, também a cidade do relógio cuco. =D Posso dizer que minha viagem foi bem gastronômica, um pouco consumista (preços imcomparáveis!) e super divertida. \o/ Adorei!

Repara no tamanho desses bifes? Acompanhados de batatas com queijo.... =P~~
~
A melhor padaria da cidade: Kaiser.
Cara, tem de N tipos.
Minha primeira igreja gótica. =D
Os vitrais tem os desenhos simbolizando quem pagou por eles, por isso você vê um Bretzel na direita (os padeiros), por exemplo.


Ah, sim... e a história do trem! Fiquei com dor na consciência um tempo, mas depois entendi como as coisas funcionavam. Tem máquinas dentro e fora do trem, só que eu nunca saberia como usar sem alguém para me explicar. Você compra um bilhete pelo dia, que vale 24h exatamente e a maioria dos habitantes tem um passe mensal/semestral/anual, por isso que não vi ninguém pagando. Mas tem policiais controladores de bilhetes e corri o risco de levar multa, independente de eu ser estrangeira. =O Tolerância e informações turísticas zero.

Isso são medidas de pão. Na época descrita aí na parede, o tamanho do pão tinha q ser esse aí. Muito comércio rolou em Freiburg.

Aqui, também dei uma esticada até o Lago Titisee, que fica numa cidade vizinha. Valeu muito a pena.


Ok, vou parar de postar inúmeras fotos (a desenvolvedora Juliana Araújo ainda não me ensinou a fazer uma galeria aqui =P), pois foram mais de 200 fotos nessa viagem o.O (calma, fica sussa que nem com galeria eu te faria ver tudo isso de foto! haha).

Saldo geral: me surpreendi positivamente com a Alemanha, tive a melhor guia de todos os tempos (que poderia muito bem trabalhar como guia por lá, nunca vi alguém saber tanto detalhe. Duvido que os próprios habitantes saibam mais que ela, sério), comi muito, ri "absurdo" (como dizem meus amigos de Campinas), me descobri um pouco, me identifiquei com pessoas que também estão fazendo intercâmbio por paixão a um país que não o seu e que também querem entender isso, enfim... dias inesquecíveis. Pena que o tempo passa é depressa demais!

Beijinhos! =*