sábado, 12 de maio de 2012

La France e a vida cotidiana #7 (remember alemão)

Continuando a falar de máquinas bacanas, uma das primeiras que me fizeram pirar de incredulidade foi uma máquina de cortar pão num supermercado da Alemanha.


Foi assim: minha amiga (que já morava lá há muito tempo) e eu fomos comprar coisas básicas no supermercado para jantarmos (detalhe que era um supermercado pequeno e normal, nem era grande). Escolhemos um pão lindo (porque lá também tem N variedades... esse, inclusive, era com semente de abóbora, delicioso!) e ela me disse que nunca tinha testado a máquina que estava chamando a minha atenção. Pegamos o pão cobaia e colocamos dentro da máquina. Em dois segundos, N super lâminas ninja cortaram o pãozinho em fatias de pão de forma, super prático e provavelmente indolor para o fatiado, tamanha a rapidez e eficiência!


Ficamos tão deslumbradas que queríamos comprar outro pão SÓ para poder fatiá-lo. Pena que éramos só duas e 1 já era suficientemente grande para todos os dias da minha viagem ahaha.

A experiência foi tão inesquecível que ficamos falando na máquina por dias, que queríamos voltar lá para fazer um vídeo do pão sendo fatiado e tal. Mas por motivos de vergonha boba exagerada e falta de tempo, não realizamos a tão desejada filmagem. =(

Então, querida Lígia, dedico a minha pesquisa youtubística para você. Olha o que eu encontrei! Mais N outras pessoas deslumbradas com a nossa maquininha:


Parece que deixar para cortar o pão na última hora faz com que ele se conserve por mais tempo. Outra coisa bacana é que você podia escolher fatias grossas ou finas e mais o menos o número de fatias de acordo com o pão. ;)


E essa aqui é a propaganda dos vendedores da máquina, mas dá para ver direitinho como ela fica no supermercado. É incrível =D :


Moral da história: é melhor ser sem vergonha, né teacher? (olha ela aí embaixo, cortando ela mesma o bretzel!)




quarta-feira, 9 de maio de 2012

Para não dizer que não falei de flores...

Gente, eu estava na França quando o novo presidente do país foi eleito. Eu vi parte da história francesa acontecer! Não é bacana? =) François Hollande, novo président.


Acompanhei pela internet e televisão e li as propostas dos 10, sim... dez candidatos à presidência (!). Discuti com minha família accueil e achei muito interessante constatar que as preocupações dos franceses são muito semelhantes às nossas: desemprego, desigualdade social, alta dos preços de moradia e supermercado, corrupção política, meio ambiente... enfim, somos todos parecidos. Mas as semelhanças param num assunto muito delicado: a imigração. Há muito tempo que os franceses tem a fama de não curtirem os estrangeiros "que roubam seus empregos" e isso não mudou, aliás, até aumentou (a maluca da Marine Le Pen ficou em 3º lugar!), o que dá medo. Sendo assim, muitos candidatos radicais adotam esse discurso quase que para dizer que explusariam todos os "não-franceses" (o que provavelmente reduziria muito o país).

Ainda falando em política, como o assunto estava em alta, pude conversar com muita gente sobre o Brasil e quer saber? Todo mundo conhecia o ex-presidente Lula, por nome e proezas. Fiquei surpresa! Enquanto a Dilma ainda não tem tanta fama, exceto por ser uma mulher no poder.

Aqui o voto não é obrigatório, mas até que muita gente faz questão de votar. Também ninguém queria acreditar que o voto era obrigatório no Brasil, para eles isso é inimaginável ainda. Mais uma coisa engraçada: eles votam com papel, acreditam que urnas eletrônicas podem ter muitas fraudes. É basicamente assim: você entra numa sala, na mesa tem papeizinhos com os nomes dos candidatos, você pega alguns e vai na cabine, coloca 1 nome num envelope e coloca na urna. É proibido divulgar as parciais das eleições enquanto ainda estão ocorrendo os votos, você só sabe o resultado concreto depois. Drôle!


O novo presidente toma posse 1 semana depois da divulgação do resultado, no próximo dia 15.

Enfim, espero que a França volte logo a sorrir e que a nova escolha presidencial seja uma mudança para melhor. Cruzem os dedos!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Como se tornar au pair na França - parte 1/3

Finalmente o tão esperado post está feito [ou quase]. Eu já previa escrevê-lo antes, mas sacomé, né... eu estou na França =P, cheia de novidades para ver hahaha. Tudo bem, não esqueci das perguntinhas que muita gente me fez e espero esclarecê-las aqui. Vamos lá?


1) Le début - A DECISÃO
Só uma coisa é certa: não é fácil #fato. A decisão é muito pessoal. Apesar da experiência tentadora de morar 365 dias em outro país (ainda mais quando isso já era um sonho!), largar tudo para trás sem saber absolutamente nada sobre o "depois" me fez perder uns cabelos de preocupação e chorar litros quase todos os dias antes do embarque. Eu já vinha amadurecendo a ideia há muito tempo, mas quando assinei o contrato para ir, minha vida mudou naquele segundo.

Para resumir minhas resoluções decisórias:
-Prós: muita experiência, realizar um sonho, conhecer uma nova cultura, descansar (tirar um ano sabático), viajar muito, falar francês fluente, amadurecer, fazer algo totalmente novo e arriscado.
-Contras: largar uma vida "feita" com emprego bom, amigos, família e não saber como e se vai encontrar tudo isso depois.


Por que sim? Porque a vida é muito curta para você vivê-la no "e se...", porque é você quem deve tomar as decisões e não somente se deixar levar. Não vale a pena sofrer por antecedência, tentando adivinhar o que vai ser do futuro, resolvi viver um dia de cada vez. E, como escrevo esse post depois de 3 meses de intercâmbio, posso dizer: no meu primeiro mês de intercâmbio, já sentia que todo o meu martírio, investimento, poupança e experiência já tinham valido a pena, pelos simples 30 dias aqui. Hoje posso dizer com certeza: essa foi uma das melhores decisões que já tomei na vida. Hoje sou feliz.

2) AGÊNCIA OU NON?
Acho que é a pergunta que mais ouço. Antes de decidir, pesquisei muito e a maioria das meninas preferiu vir sem agência e tinham uma lista bem convincente de seus porquês. Eu decidi vir "com", pelo simples motivo: minha família ficaria mais tranquila (uma dor de cabeça a menos), apesar de pagar um dinheirinho considerável para a agência. Bom, no meu caso:

-Prós: minha agência me deu suporte antes mesmo de eu assinar o contrato, uma reunião com a psicóloga deles avaliou se o programa "au pair" era mesmo a melhor escolha para mim; depois tive reuniões com outras meninas au pairs (achei isso super legal, vi que todas tínhamos as mesmas neuras ahahaha), que esclareceu muitas dúvidas; comprei a passagem com um desconto bacana para estudante e possível de trocar a data (porque você TEM que comprar a volta e você vai ter que remarcar porque não saberá exatamente o dia do seu retour); eles já tinham uma agência francesa parceira que era excelente e eu nunca saberia escolher uma na internet; minha família ficou super tranquila de saber que tinha algum lugar para recorrer no Brasil; já escrevi alguns e-mails sobre dúvidas que eles me ajudaram mesmo depois de ter chegado aqui.
-Contras: Infelizmente, o suporte burocrático foi nulo e eu me descabelei horrores para entender tudo (e vou tentar ajudar você nesses posts que seguem porque não achei uma santa alma que explicasse isso na internet); a quantia é um pouco salgada pelo tanto que eles te "ajudam" (mas no valor estava incluída uma parte que era da agência francesa, então a parte brasileira nem era assim tão cara).


-> Quem vem por conta própria acaba escolhendo este site aqui para procurar famílias. Conheci algumas meninas que vieram por este site. Algumas tem famílias boas, outras tem famílias encrenca. Na França, au pair é legalizada, então só venha com contrato!

3) Burocracia -  DOSSIER
Toda au pair tem que preencher um dossiê (mesmo as que não vão por agência), o "application", com N dados pessoais e preferências, seguido de 2 ou 3 experiências diferentes com crianças que não sejam da família, 1 fotocolagem (sobre você e as crianças que você cuidou), declaração médica de que você está bem, 1 referência pessoal, atestado de antecedentes criminais, foto sorridente e a tão temida carta à família.

Ok, por partes:
- Application: fácil, você faz o download aqui do mesmo que eu preenchi, mas é para ter uma ideia.
- Preferências: quantas crianças você quer (eu coloquei no máximo 3, para ser boazinha, mas ainda bem que cuido de só 2!), onde gostaria de morar (cidade grande, média, pequena ou campo? Eu coloquei as 2 primeiras), qual a idade das crianças que você prefere cuidar? (escolhi de 6 a 12, porque ainda são crianças. Para mim bebê dá trabalho demais e exige muita responsabilidade, não fica o dia todo na escola e você perde a liberdade. Adolescente? Nem pensar... não sei lidar com revoltas. Escolhi bem, para mim ;)
- Experiência com crianças: essencial e você pode obter com o filho de uma amiga (meu caso), em creches, trabalho voluntário (meu caso também, antes mesmo de pensar em ser au pair); mas tem que comprovar, leia-se alguém (que não seja seu parente) tem que assinar para você.
- Fotocolagem: tenho a sorte de ser publicitária e abusei do photoshop e de montagens das fotos com desenhos bonitinhos no fundo. Bom, você pode enviar até 2 páginas. Fiz a primeira sobre mim, minha família e meus hobbies (tinha foto com parentes; foto na formatura - dá status, hein?; na dança; na natação - decente! haha; com amigos - sem foto com bebidas, gente, s.v.p.; no trabalho). A segunda foi com as crianças. Coloquei todas as que eu podia colocar e as mais variadas possíveis (não só com crianças que você cuidou, mas com vizinhos também, por exemplo), tinha foto no parquinho, dentro de casa, com cachorro, lendo no sofá, brincando de lego no chão.... sabe? Criatividade [e uma sessão de fotos adaptada ;)]!

Para ter uma ideia.

- Declaração médica: use seu médico de família ou vá num posto de saúde e converse com um clínico geral.
- Referência pessoal: pedi pro meu chefe falar bem de mim, hahaha.
- Antecedentes criminais: o site da polícia do seu estado faz na hora com seu número do RG.
- Carta à família: fiz 2 páginas, mas depende de cada um. Escrevi com muitos detalhes e bem emocional. Comecei me apresentando, falei da minha família, da minha cidade, das minhas atividades (hobbies, formação), da minha vontade de ir pra França, que escolhi ser au pair porque adoro crianças (isso TEM que estar na carta) e porque vai me ajudar em crescimento pessoal, fora que aprender francês será ótimo para minha profissão (isso também é bom entrar, uma referência que você quer voltar para o Brasil depois). Contei sobre a minha experiência com crianças sempre com muitos detalhes, como: "e a [nome da menina] adorava quando eu penteava o seu cabelo e quando fazíamos bolo de chocolate juntas e ela podia lamber a vasilha". Entende? Outro exemplo: "Também cuidei do [nome do menino], ele tem 10 anos e adora jogar futebol (isso mostra o quanto você prestava atenção na suas kids). Nós líamos quadrinhos juntos depois dos deveres". Sacou? ;) Finalizei dizendo que estava ansiosa para conhecê-los. =D
*Detalhe: tem que ser tudo em francês. Eu mesma traduzi, não precisa ser juramentado.

Esse processo do "app" é bem chatinho e demorado, mas dá um alívio quando termina! Eu acho que é a parte mais chata, sem contar o visto. Tem também N documentos para levar (tipo seu diploma, atestado que estudou francês, etc) e traduzir. Nada precisa ser juramentado.

4) ESTOU DISPONÍVEL
As meninas que se inscrevem para os EUA ficam online num site quando toda a documentação é aceita, o que é muito prático. Para a França não tem essa mordomia haha e você espera agoniada. Enfim, não demora tanto. Eu peguei meu "app" para preencher em setembro e entreguei-o no mesmo mês (acredite, é mesmo difícil ser tão rápido. A maioria das meninas levam 2, 3 ou mais meses para conseguir preencher tudo). Assim, em outubro recebi o "ok" e no começo de novembro tive o contato da primeira família.

Bom, esse post já ficou gigante =P. No próximo vou falar do visto e de outros requisitos, mas podem mandar mais dúvidas. =) Bisous!

sábado, 5 de maio de 2012

La France e a vida cotidiana #6

Eu fico mesmo encantada com as "modernidades" que vejo aqui na Europa. Fico me sentindo uma caipira tirando foto das coisas "normais" da vida (para eles!), mas é tão divertido descobrir as novidades! A nova sensação do momento é o caixa automático de supermercado. É, você passa suas compras sozinho na maquininha, paga e vai embora. Fácil? Vamos ver...


Bem, por um lado, essa invenção pode ajudar a reduzir as filas, mas por outro, reduz também o número de empregos. E a crescente taxa de desemprego é assunto antigo aqui na França. =/ Outra coisa chata: o ser humano é esperto demais e claro que um dos grandes problemas nessas máquinas são as fraudes para pagar menos.


De toda forma, vou explicar como é que a coisa funfa: a máquina tem um scanner que você vai passando os códigos de barras e uma balança onde você vai colocando um a um, os produtos na sacola (assim a máquina confere o peso e o valor. Teoricamente, você não pode colocar um produto na sacola sem passar pelo scanner porque a máquina vai notar o peso extra. Mas isso não impede o povo de deixar numa sacola reutilizável no chão, por exemplo, e roubar. Depois de tudo pronto, é só pagar com cartão ou até dinheiro, inserindo as notas e/ou moedinhas no compartimento especial (dá para ver direitinho na foto abaixo).


Em Londres também vi dessas máquinas. Eu mesma já utilizei umas 4 vezes. Usada do jeito certo (e quando não está quebrada!), pode ser bem prática. O que você acha?

quinta-feira, 3 de maio de 2012

"Parabéns para você" sem brigadeiro não tem graça, snif! - Parte 2

Yep, depois de uma primeira experiência num aniversário de criança francesa, eu já estava "sage" (o famoso ixxxxxperrrrta dos cariocas) do que me aguardava no aniversário da menina. Aliás, que aconteceu no fim do mês de abril, mas só foi comemorado lindamente no dia 1 de maio. Feriado, teoricamente day off... lindo! Isso é que é começar com o pé direito, não é mesmo? ai, ai...


Enfim, mesmo sabendo que a casa ia receber novamente 12 criancinhas sapecas no meu dia de folga (já disse que não era para eu estar trabalhando, mas estava? Pois é.), eu tive uma super boa vontade e resolvi incrementar a decoração da festa com florzinhas de papel crepom, que a mãe e eu achamos o how-to na internet. Bom, a verdade é que parecia mais fácil no vídeo do que na prática e isso pegou boa parte da manhã, mas ficou lindo:
Pena que durou 5 minutos após a primeira criança ter chegado e ter achado "liiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiindo" também (à la Felícia) e você pode imaginar as minhas flores espatifadas. Engraçado é que a minha menina disse para as amigas que essas flores foram feitas para "durar pra sempre" e o fato é que as artificiais tiveram uma vida mais curta do que uma verdadeira. Pobrezinhas.



Ah! Eu também fiz o convite da festa no photoshop. Tirei uma foto da menina, coloquei cercada de florzinhas... ela adorou. =D

Bom, o aniversário da menina funcionou no mesmo esquema: horário de início e fim, 12 amigas sendo que 1 tinha que ser menino, por causa do irmão. Bolo simples e suquinhos, mas com docinhos melhores porque a menina escolheu melhor que o menino, haha. Dessa vez a brincadeira foi uma caça ao tesouro, numa historinha fofa sobre uma borboleta de ouro perdida no jardim do castelo (que é do lado de casa). Tudo bem, os pais nunca aprendem, superestimaram demais as crianças (de 6 a 10 anos) e fizeram uma história gigante com quase 10 minutos para elas assistirem antes da caça. O que aconteceu? Óbvio; ninguém prestou atenção, cada uma correu para um lado, gritando e procurando loucamente como se tivessem tomado energético. Outro grande erro: instruções da caça exageradamente grandes e com um nível de dificuldade que nem os outros pais conseguiram decifrar hahaha... foi muita boa vontade, mas fez com que as crianças lessem meia frase e saíssem correndo, para variar. De novo: crianças elétricas e pais pedindo misericórdia.

O que eu aprendi? Meninas podem ser piores que meninos em termos de bagunça e gritaria, o problema é que elas enganam super bem com aquelas carinhas fofas ahaha.

Por outro lado, no aniversário do menino, a irmã e a amiguinha participaram de todos os jogos com alegria. No dela, o irmão e o amigo ficaram fazendo caretas e julgando tudo chato e sem graça.

Outra coisa que aprendi: não se fazem mais crianças como antigamente. De novo tinha uma menina que NÃO GOSTAVA DE BOLO DE CHOCOLATE. Não pode, gente!

Donc, depois desse dia infinito, fui no cineminha para descontrair. Assisti Le Prénom e dei umas risadinhas. =)